Se é pra fazer, tem que fazer direito ou como o PERFECCIONISMO pode levar à procrastinação

Já falei aqui que a procrastinação muitas vezes está relacionada ao medo de falhar, de ter dificuldades ou de não suportar um determinado desconforto. Compreender isso pode nos ajudar a pensar nos antídotos para esse adiamento eterno de tarefas, que nos traz tanto sofrimento.

Então, vamos falar sobre um motivo bem comum para esses medos, o perfeccionismo!

Pode parecer estranho pensar que o perfeccionismo e a procrastinação estejam relacionados, porque a gente tende a achar que pessoas perfeccionistas são mais focadas e esforçadas e, consequentemente, procrastinam menos.

O perfeccionismo está longe de nos aproximar da perfeição!

Aliás, perfeição? Será que isso existe mesmo?

O perfeccionismo está relacionado a uma autocobrança acentuada, que nos faz estabelecer metas altas, muitas vezes irrealistas, ou – o que é pior – metas muito rígidas, que não toleram falhas.

Um pensamento bem típico do perfeccionista é: se é para fazer, tenho que fazer direito. Mas pare para pensar sobre a consequência imediata desse pensamento: se não for para fazer direito, PREFIRO NEM FAZER!

Muitas vezes, é por querer “fazer direito” que a gente deixa para fazer depois e acaba não fazendo nunca! E depois temos que lidar com aquela conhecida cascata de autocrítica, culpa e vergonha que vem junto com a procrastinação (falei um pouco sobre isso aqui).

A questão é a gente refletir sobre o que é “fazer direito”. Será que temos clareza sobre o que isso significa?

Fazer direito é não errar? É se esforçar ao máximo? É fazer tudo de uma vez só? É não se distrair em nenhum momento enquanto estiver fazendo? É fazer tão bem que vai ficar melhor do que já foi feito em qualquer outra situação?

Qual será a régua que utilizaremos para medir se estamos “fazendo direito”?

Será que temos critérios adequados para saber o que é fazer direito? É realista esperar que sejamos capazes de prevenir toda e qualquer falha? Será que existe esse nível máximo de atenção que gostaríamos de ter com as nossas tarefas? Será que algum dia teremos esse tempo livre sem nenhuma distração que esperamos ter para que possamos finalmente concluir nossa tarefa?

A questão não é se o que você quer fazer é algo simples ou algo complicado. Se você está olhando para essa meta de maneira inflexível, é possível que ela esteja se transformando num monstro sem que você se dê conta. Aquilo que você queria ou precisava fazer vai parecendo uma tarefa hercúlea, que sugará toda a sua energia e você ficará esperando pelo momento ideal, com condições perfeitas de temperatura e pressão, para tomar a iniciativa de começar a agir.

E, rapidamente, sua mente associará essa tarefa a um grande mal-estar por conta das previsões com desfechos horríveis e catastróficos que ela faz. Vai ser muito difícil, vai dar muito trabalho, nunca vou conseguir, vou errar, vou falhar, vai ficar péssimo (um pouco mais sobre a procrastinação e a tendência à catastrofização da mente aqui).

Obviamente, não estou dizendo para você fazer tudo errado, mal feito e de qualquer jeito.

Ser flexível é completamente diferente de ser descuidado e negligente! Aliás, esse é o típico pensamento “tudo ou nada” do perfeccionista. Olhar para uma tarefa de maneira flexível é fazer uma análise realista sobre a meta que você almeja alcançar e os recursos disponíveis no momento.

Lidar com o perfeccionismo não é algo assim tão simples e esse será o assunto de uma próxima série aqui no blog. Por enquanto, sugiro que você mantenha o alerta acionado para o seu nível de autoexigência com relação às atividades que tem procrastinado.

É muito importante se lembrar que FEITO é melhor que PERFEITO!

Tudo fica mais fácil, mais bonito e mais perfeito quando está somente no plano das ideias. Mas a satisfação real só vem mesmo quando conseguimos executar o que queremos, mesmo que saia um pouco diferente da nossa expectativa.

Esse texto é parte de uma série sobre possíveis causas para a procrastinação. Se quiser ler mais sobre o tema, é só ir clicando aí embaixo nos posts relacionados.

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