Amanhã eu faço ou como o OTIMISMO pode levar à procrastinação

A procrastinação geralmente traz frustração, culpa, vergonha e autocrítica e eu já falei em outros textos sobre como o perfeccionismo (aqui), o medo de falhar ou o medo do desconforto (aqui) podem servir de gatilhos para o adiamento de tarefas importantes.

Nesse texto vamos falar sobre a relação, aparentemente inesperada, entre a procrastinação e o otimismo.

O procrastinador pode ter uma mente “catastrofizadora”, mas ele está longe de ser um pessimista. O pessimista acreditaria piamente na sua incapacidade de iniciar, concluir ou suportar uma tarefa e simplesmente desistiria dela.

O otimista, com sua disposição para ver as coisas pelo lado bom e prever um desfecho favorável, olha para o futuro com esperança. E, se você pensar bem, é na esperança que mora a procrastinação.

Depois eu faço, amanhã...

Por trás desse pensamento está a ideia de que eu não estou com pique ou com coragem agora, mas em algum momento do futuro eu estarei ou a ideia de que a situação não está propícia nesse momento, mas em algum momento do futuro ela estará.

Então, se você não tinha se identificado com todas aquelas ideias negativas sobre a tarefa que você gostaria ou deveria fazer dos outros textos dessa série (aqui e aqui), talvez seja mais fácil para você identificar os subterfúgios mais positivos da sua mente.

Porém, é tudo a mesma coisa.

Os pensamentos de que ainda tenho tempo, amanhã estarei mais motivado ou motivada para fazer, ainda não peguei para fazer, mas quando eu começar, aí sim... são só um outro lado da mesma moeda do pensamento de que se eu tentar agora vai dar tudo errado, não vou conseguir, não vai ficar bom, vai ser muito chato, não vou aguentar.

A ideia aqui não é julgar se é melhor ou pior ser otimista ou pessimista. O que desejamos é ter uma vida mais plena, na qual agimos efetivamente e fazemos o que gostaríamos ou deveríamos fazer, certo? Então, o melhor a fazer é identificar quando o otimismo está, na verdade, nos afastando disso.

Pare para pensar, o seu otimismo está trazendo esperanças de um futuro melhor e, desta forma, motivando a sua ação? Ótimo! Mas se o seu otimismo, na verdade, está propondo soluções mágicas, que o mantém prostrado ou prostrada, esperando que, num dia especial, você se sentirá cheio ou cheia de motivação e coragem e totalmente capaz de lidar com qualquer situação, CUIDADO! Esse pode ser um otimismo perigoso.

É importante sermos realistas: será que existe uma condição ideal ou um nível de motivação ideal para fazer as coisas? Será que precisamos mesmo do ideal para iniciarmos uma ação?

Se você pensar bem, na maioria das vezes é justamente o contrário, a situação só se torna propícia ou a nossa motivação só aparece DEPOIS que começamos a agir. Até porque nossas ações têm o poder de mudar e adaptar o contexto em que estamos. Além disso, são os resultados das nossas ações que nos mantém motivados.

Em primeiro lugar, convença-se: você tem sim recursos para lidar com qualquer desconforto, aqui e agora!

Em segundo lugar, que tal bolar um plano de ação viável para que o desconforto seja o menor possível e você possa alcançar suas metas de maneira menos penosa?

Dividir as atividades em tarefas menores, mais fáceis, que caibam naquele pequeno intervalo de tempo que você tem à sua frente, pode ser uma ótima maneira de começar a fazer as coisas e dar um empurrão na procrastinação.

Esse texto é parte de uma série sobre possíveis causas para a procrastinação. Se quiser ler mais sobre o tema, é só ir clicando aí embaixo nos posts relacionados.

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