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As (quase nenhuma) vantagens do perfeccionismo

17 Sep 2019

 

A anedota típica das entrevistas de emprego é a do candidato que responde que é perfeccionista quando perguntam o seu maior defeito. A lógica está na ideia de que ser perfeccionista é, ao mesmo tempo, um defeito e uma qualidade.

 

Como mencionei no primeiro texto dessa série (aqui), o perfeccionismo não é uma característica da personalidade, mas um padrão de comportamento. Portanto, não faz sentido julgá-lo como um defeito ou qualidade, mas podemos analisá-lo em termos das vantagens e desvantagens que ele traz para a nossa vida.

 

A maioria dos perfeccionistas tem um certo apego ao próprio perfeccionismo, pois tende a achar que ele traz mais benefícios do que realmente traz.

 

“Eu não seria nada ou não teria conquistado nada se não fosse assim”, “Falta muito ainda, mas só sou o que sou ou tenho o que tenho, porque sou assim”, ou ainda, “Eu já sou preguiçoso, não conquistei muita coisa na vida, imagina se eu relaxasse na autocobrança?”.

 

 

 

O apego ao perfeccionismo

 

Pessoas perfeccionistas costumam atribuir suas conquistas ao rigor com que se cobram e se punem quando não estão atingindo os próprios padrões. Elas partem do princípio de que só é possível ser disciplinado, focado, dedicado e atingir resultados excelentes se o chicotinho interno da autocrítica estiver ali à mostra, pronto para atacar ao menor sinal de um desvio do caminho.

 

Se você leu o primeiro texto dessa série (aqui), acho que ficou bastante claro que, as principais consequências do perfeccionismo são, na verdade, insatisfação, cansaço, frustração e autocrítica.

 

 

 

O perfeccionismo nos aprisiona num ciclo de insatisfação

 

Se atingimos a meta, “é porque ela não era tão difícil”. Se não atingimos a meta, “é porque somos incompetentes”. Se não tentamos atingir a meta, “é porque não somos dignos nem do nosso próprio perfeccionismo”.

 

Ou seja, na maior parte do tempo, o perfeccionista se sente insatisfeito e frustrado consigo mesmo. Está cansado do seu esforço ou fugindo do cansaço, procrastinando, o que o deixa ainda mais insatisfeito e frustrado.

 

É importante ressaltar que as desvantagens do perfeccionismo não ocorrem porque os padrões estabelecidos são elevados. Não há nada de mal em aspirar excelência. Os custos do perfeccionismo se devem à forma como essas metas são criadas (como discutido nesse texto aqui) e ao significado atribuído ao alcance delas.

 

Pessoas perfeccionistas baseiam seu autoconceito no alcance de metas. É como se a única forma de medir o seu valor pessoal fosse a partir das suas conquistas, realizações e o quanto se aproximam dos padrões que estabeleceram como necessário para ser “uma pessoa digna da própria existência”.

 

Pode parecer um papo pesado, mas a verdade é que o perfeccionismo tão frequentemente resulta em autocrítica justamente por isso. É difícil para a pessoa perfeccionista analisar um erro ou uma falha sem relacionar isso imediatamente com o seu autoconceito. É como se ela não visse diferença entre “eu errei” e “eu sou um erro”, “eu falhei” e “eu sou uma falha”.

 

 

 

Então o perfeccionismo não tem vantagens? 

 

Tem sim! Por mais estranho que pareça, esse ciclo de autocobrança acentuada é uma estratégia de autoproteção e promove uma sensação de alívio temporário.

 

É mais ou menos assim: 

 

Geralmente, pessoas com comportamento perfeccionista, são assoladas por pensamentos de que são uma grande fraude. No fundo elas acreditam ser inúteis, incapazes, incompetentes e, portanto, indignas de amor e admiração. Esses pensamentos são como uma crença, por isso é bem difícil refutá-los ou ignorá-los. Eles vêm carregados de muito sofrimento. 

 

Manter metas altamente demandantes de esforço, dá a elas uma sensação de que, ao menos no plano das ideias, são capazes, competentes e admiráveis. "Eu posso não estar fazendo nada agora, mas quando eu fizer vai ficar muito bom". "Não fiz ainda porque não me contento com pouco". "Assim que eu conseguir alcançar essa meta, serei amada ou admirada" .

 

E isso traz um baita alívio para as emoções desconfortáveis! Dá uma certa esperança. É como se a pessoa pudesse vislumbrar um mundo, um momento, uma situação em que ela não se sentirá uma grande enganação e se sentirá digna de sua existência.

 

Não dá pra menosprezar a importância desse alívio na hora em que o sofrimento aperta. 

 

O problema, porém, é que essa sensação dura pouco tempo e, como consequência, deixa um gosto ainda mais amargo, já que o mecanismo pelo qual o perfeccionismo atua acaba por confirmar aqueles pensamentos de incapacidade, incompetência e inutilidade.

 

 

E agora? O que fazer?

 

A primeira coisa é reconhecer esses padrões de comportamento em você e esse já é um passo bem difícil, pois a maioria das pessoas perfeccionistas acredita que não está se exigindo mais do que "sua obrigação".

 

O segundo passo é se abrir para a seguinte reflexão:
Será que o nosso valor pessoal se mede por nossas conquistas? Será que só seremos dignos de amor e de respeito, se atingirmos nossas metas?

 

O grande desafio para as pessoas perfeccionistas não é baixar suas metas, mas desassociar o seu valor como pessoa do alcance delas. 

 

Essa associação é muito forte em nossa cultura e, por isso, o trabalho mais árduo para a pessoa perfeccionista é o de se lembrar que ela tem valor, é digna de amor, de respeito e de admiração, independentemente do que conquistou ou conquistará na vida. 

 

E, se você que está lendo isso é perfeccionista, já deve estar pensando que esse papo está soando a se contentar com pouco, ou ter pena de si mesmo. Não é isso não. Você pode almejar voar bem alto, mas a verdade é que só conseguirá com uma boa dose de autocompaixão, resiliência e flexibilidade. E isso fica bem difícil se a cada vez que você se vê diante de uma falha, um erro, um obstáculo, você dúvida do seu valor como ser humano.

 

Há muito para refletir sobre isso. Se você quiser se aprofundar um pouco mais, eu faço duas indicações: (1) assistir a palestra fantástica da Brené Brown no TED sobre vulnerabilidade e (2) ler o livro dela chamado “A coragem de ser imperfeito” da editora Sextante.

 

Eu vou ficar muito feliz em saber sua opinião sobre esse texto, como ele ressoou para você. Fique à vontade para escrever nos comentários aqui embaixo, me enviar um e-mail (contato abaixo)  ou uma mensagem inbox pelas redes sociais.

 

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